Uma pequena xícara de cappuccino para falar sobre a noite de ontem, e sobre o cinema nacional
Por Clarissa Kuschnir
Este ano infelizmente, não veio o Oscar para o Brasil. Ao mesmo tempo que bateu aquela vontade de sentir a mesma sensação do ano passado, com “Ainda Estou Aqui”, de Walter Salles vencedor na categoria Filme Internacional, fico feliz que muito além de levar um prêmio, o nosso país esteja representado dentro da indústria hollywoodiana. Afinal de contas, muitos de nós que fomos adolescentes nos anos 80 e no começo dos anos 90 crescemos assistindo a filmes norte-americanos, sem deixar de ter assistido, a quase todos os filmes dos Trapalhões (que me fizeram conhecer, o cinema brasileiro). Era no cinema e na mídia física, com o boom das locadoras, de onde veio praticamente, boa parte de meus conhecimentos cinematográficos. E sim, temos grandes filmes e diretores da indústria hollywoodiana, que continuam marcando gerações. No Brasil, “O Agente Secreto”, de Kleber Mendonça Filho que vem fazendo bonito desde sua estreia em Cannes no ano passado onde já começou muito bem, sendo premiado nas categorias de direção e ator para Wagner Moura, provou que podemos ir muito além das fronteiras, com histórias que despertam interesses mundiais, e que falam da nossa cultura. E além de acumular diversos prêmios internacionais, ele concorreu a quatro Oscars, se igualando a “Cidade de Deus”, de Fernando Meirelles. E é muito bom ter uma boa parte da equipe brasileira, na plateia do prêmio mais popular do cinema, ao lado de feras como Steven Spielberg. Porém olhar para fora é bom, mas não podemos esquecer que devemos cuidar do nosso mercado, que precisa urgentemente de políticas públicas de continuidade e de distribuição. E desde o nosso primeiro Oscar o ano passado, nosso cinema lançou muito mais filmes nos cinemas em 2025 (203 no total), porém poucos deles foram vistos. Lembrando também que muitos filmes que passam por festivais, muitas vezes seguem direto para o streaming. Segundo dados lançados em matéria recente pelo Filme B, além dos dados da Ancine (Agência Nacional do Cinema), mais da metade dos longas-metragens brasileiros não chegaram a vender sequer mil ingressos, e destas obras, 29 tiveram menos de 100 pessoas assistindo nas salas, ou seja, o número caiu em quase 15%. Isto é mais que o dobro dos filmes estrangeiros, que tiveram um a queda de um pouco mais que 7%. Os dois filmes de maiores bilheterias de 2025 foram: “Ainda Estou Aqui” com quase 6 milhões de ingressos vendidos e o “Auto da Compadecida 2 “superando 4 milhões de espectadores. Este ano temos o “O Agente Secreto” (lançado no circuito comercial, no começo de novembro de 2025), que já acumula quase 2,4 milhões de espectadores e que já chegou na Netflix, uma semana antes do Oscar (o que achei uma estratégia ótima) mesmo ainda estando em cartaz, no circuito comercial. E como ficarão os outros títulos? Essa é uma dúvida que se vai respondendo ao longo do ano, pois ainda estamos em março, e muitos filmes estão para serem lançados. Acredito que com a Lei do Audiovisual prorrogada até 2029, seja um plus a mais para a melhora na distribuição nos cinemas brasileiros, mas este é só um ponto que envolve toda uma cadeia audiovisual que começa desde o fomento, passando pela produção, formação de público (calcanhar de Aquiles do nosso cinema) e profissionais, até chegar na distribuição. E uma das coisas que eu mais ouço da boca dos produtores, são as dificuldades de distribuição dos filmes brasileiros. Sendo assim, precisamos falar mais sobre isso, pois é utópico acreditar que duas ou três obras que se destacaram nestes últimos dois anos, sejam a salvação para o nosso cinema. O Brasil é diverso, temos filmes ótimos que passaram pelos nosso festivais internos (hoje são mais de 400 eventos, segundo o Fórum Nacional dos Festivais) que na maioria das vezes, não chegam aos cinemas. É preciso pensar como um todo, falar sobre nossas obras e principalmente pensar em maneiras para que o público assista mais, cinema nacional.
Agora voltando ao Oscar, seguem abaixo (com algumas anotações minhas) os vencedores da 98ª edição
Melhor Filme – Uma Batalha Atrás da Outra, de Paul Thomas Anderson
Melhor Direção – Paul Thomas Anderson (Uma Batalha Atrás da Outra)
Melhor Ator – Michael B. Jordan (Pecadores)
Melhor Atriz – Jessie Buckley (Hamnet: A Vida Antes de Hamlet) – Ela dá um banho de intepretação.
Melhor Ator Coadjuvante – Sean Pen (Uma Batalha Atrás a Outra) – Grande ator sempre, mas não apareceu para pegar o prêmio.
Melhor Atriz Coadjuvante – Amy Madigan (A Hora do Mal)
Melhor Seleção de Elenco: Uma Batalha Atrás da Outra – Achei que nesta categoria o Brasil tinha mais chance – uma pena, pois Wagner Moura, mais grande elenco(grande parte nordestino), com a estreia de Tânia Maria ( virou ícone nacional) são demais!
Melhor Roteiro Original – Pecadores
Melhor Roteiro Adaptado – Uma Batalha Atrás da Outra
Melhor Filme Estrangeiro – Valor Sentimental (Noruega) – Apesar de torcer para o Brasil, achei muito justo o prêmio. O filme é de uma sensibilidade tamanha, sobre a relação de um pai distante, com a sua filha.
Melhor Fotografia – (Pecadores) – Autumn Cheyenne Durald Arkapaw é a primeira mulher a vencer na categoria, na história do prêmio. Ficamos felizes, mas deveria ser constante. Porém, confesso que o meu preferido era Sonhos de Trem, com a bela fotografia quase toda de luz natural, de Adolpho Veloso
Melhor Montagem – Uma Batalha Atrás da Outra
Melhores Efeitos Visuais – Avatar
Melhor Direção de Arte (ou Design de Produção) – Frankenstein – Um filme que sem dúvida que ganharia esta e as demais categorias técnicas abaixo.
Melhor Figurino – Frankenstein
Melhor Cabelo e Maquiagem – Frankenstein
Melhor Som – F1
Melhor Trilha Original – Pecadores
Melhor Canção Original – “Golden” (Guerreiras do K-Pop) – A canção virou um fenômeno mundial, sendo a primeira canção K-pop a ganhar Oscar e Grammy.
Melhor Animação – Guerreiras do K-Pop – Existem muitas animações boas fora da bolha Disney Pixar, DreamWorks Animation e demais estúdios norte-americanos.
Melhor Documentário – Mr. Nobody Against Putin (Fiquei curiosa para assistir)
Melhor Curta Documentário –Quartos Vazios (o meu escolhido)
Melhor Curta de Animação – A Garota que Chorava Pérolas
Melhor Curta Live-Action – Os Cantores e Duas Pessoas Trocando Saliva (essa é a sétima vez que na história do Oscar, em quase 100 anos de prêmio, que acontece empate) – O meu escolhido foi Os Cantores
Três momentos marcantes: Wagner Moura com uma dos apresentadores da noite; a presença de Lionel Richie depois de 40 anos em que ganhou o Oscar de melhor canção por Say You, Say Me, de “O Sol da Meia-Noite”; e o discurso político e crítico do ator espanhol Javier Bardem, pedindo a liberdade à Palestina e paz, pela Guerra que acontece no Oriente Médio.
Momento polêmico: No “In Memorian”, a Academia esqueceu de mencionar Brigitte Bardot, James Van Der Beek, Eric Dane e o cineasta brasileiro Silvio Tendler.
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