Primeira edição da mostra traz filmes inéditos e também obras de cineastas consagrados
Por Clarissa Kuschnir
O CineSesc está sempre inovando em sua programação. A partir da próximo sexta-feira, 20 de março até o dia 04 de abril, um dos espaços mais disputados pelos cinéfilos paulistanos chega com sua primeira edição da Mostra Farol. A Proposta da curadoria da mostra que é dividida em dois eixos é a de mesclar filmes inéditos, que só foram exibidos em festivais, com títulos de cineastas já consagrados, focando em seus primeiros trabalhos como “Robocop”, de Paul Verhoeven, os nacionais “Os Matadores” de Beto Brant e “Rio 40 Graus”, de Nelson Pereira dos Santos e para as crianças, o clássico “Branca de Neve e os Setes Anões”(1937) primeiro longa de animação da história do cinema, distribuído pela Walt Disney .
“Essa é uma manhã muito especial, quero agradecer a cada um de vocês por estarem aqui. Eu digo isso porque por 50 anos, o Sesc trabalhou com a Mostra Melhores Filmes e é um projeto que deixou saudades. Muitos de nós da equipe apanhamos um pouquinho, quando tomamos a decisão de mudar um pouco o foco. Nós entendemos que ela cumpriu um papel importante na cidade de São Paulo, em relação a linguagem de cinema e que estaria na hora de repensarmos a propor novas formas de pensar cinema, e atrair o público para a sala do CineSesc. Por isso nasce a Mostra Farol, afirmou aos jornalistas durante a coletiva de imprensa Érica Mourão, gerente de ação cultural do Sesc, sem deixar de enfatizar, que essa mostra reconhece a história e a memória para poder projetar novas possibilidades, sempre coerentes e de acordo com o que se deseja a sociedade.
Rodrigo Gerace, gerente adjunto do CineSesc e um dos curadores disse que a Mostra Farol nasce de uma inquietação do que se chama os horizontes dos rumos das cinematografias e, para além de um critério de um gosto estético e subjetivo, que os Melhores Filmes traziam.
“A gente não entende mais o que é o melhor ou pior filme. Vários grandes filmes foram tidos como os piores filmes do mundo, como “O Iluminado”. Enfim, esse critério já não nos serve mais e sim essa luneta que é o farol de iluminar aquilo que é do passado e que tem que ser visto”, afirmou Rodrigo, que em seguida citou os curtas de Alice Guy Blanché (que estão dentro da programação, incluindo um curso), que até hoje é invisibilizada e que foi a primeira mulher cineasta a fazer filmes (ela fez 800 curtas), e até hoje não foi citada em bibliografias, que se dizem especializadas. Rodrigo concluiu que a curadoria procurou trazer uma diversidade ampla na programação, tendo em vista lugares de fala e de representações geográficas.
A Mostra Farol tem um total de 31 filmes, sendo que 26 serão exibidos no CineSesc e 5 na plataforma digital (o que amplia a democratização do evento). Destes 31 títulos 8 são brasileiros (a curadoria queria colocar mais, porém muitos ainda estão circulando em festivais, que exigem ineditismo), 23 estrangeiros. Desta coletânea 3 filmes queer, 14 dirigidos por cineastas mulheres, 2 infantis, 2 que serão exibidos em 35mm (“O Gosto de Sangue”, dos irmão Coen e “Os Matadores”, de Beto Brant).
O filme exibido na coletiva de imprensa foi o distópico e mais recente filme de David Cronemberg “O Senhor dos Mortos” (que faz parte da programação da mostra), protagonizado por Vicent Cassel, Diane Kruger, Guy Pierce e Sandrine Holt, que não chegou ao circuito comercial, no Brasil. E complementando haverá o primeiro longa do diretor que é “Calafrios”, de 1975. Entre os títulos inéditos destaque para: “A Sombra de Meu Pai”, de Akinola Davies Jr.; “Aqui Não Entre Luz” , de Karol Maia, premiado no Festival de Brasília; o português “O Riso e a Faca”, de Pedro Pinho; “Diamantes”, de Ferzan Özpetek, premiado em Veneza; “Fuck the Polis”, de Rita Azevedo, vencedor da competição internacional do Festival de Marselha e o “O Dia de Peter Hujar“, de Ira Sachs, que teve 5 indicações à premiação Independent Spirit.
O objetivo da programação foi justamente ser inédita, para que pudesse fazer com que as pessoas saiam de suas casas, e que esta não fosse substituída pelos streamings. E o CineSesc tem feito bem este trabalho de formação de público, trazendo filmes clássicos na maioria restaurados, para que uma nova geração possa conhecer estas obras. E realmente tenho acompanhado de perto este trabalho de formação, com sessões concorridas e sempre lotadas.
Além das exibições haverá o curso “No negativo da história” (como falei acima), sobre Alice Guy-Blaché, ministrado pela pesquisadora, produtora e preservadora audiovisual, Vivian Malusá e a Programação Formativa com aulas Magna de Roteiro com: Laís Bodanzky, Marcelo Caetano e Gabriel Martins. Todas essas atividades em paralelo, são gratuitas.
O filme de abertura do festival no dia 20 é “Surda”, de Eva Libertad, vencedor do prêmio de votação popular, na sessão Panorama, do Festival Internacional de Cinema de Berlim.
A programação completa da Mostra Farol pode ser acessada pelo site: https://www.sescsp.org.br/mostra-farol-2026/
SERVIÇO:
CineSesc
Rua Augusta, 2075 | São Paulo
Central de atendimento: 13h15 às 21h30, todos os dias
Bilheteria online: sescsp.org.br/cinesesc
Ingressos
Mostra Farol e Sessão LatinoAmérica: R$20,00 (inteira) | R$10,00 (meia) | R$6,00 (credencial Sesc).
Sessão de abertura e todas da faixa das 15h (exceto CineClubinho): Grátis.
CineClubinho: R$ 10,00 (inteira) | R$ 5,00 (meia) | R$ 3,00 (credencial Sesc). Grátis para crianças até 12 anos.
Sessão de abertura, faixa das 15h e Aulas Magnas: Retirada de ingressos na bilheteria do CineSesc, 1h antes do início. Sujeito à lotação.
Sessão Alice Guy-Blaché: inscrições a partir de 20/3 via app Credencial Sesc SP ou sescsp.org.br
Vendas online e presencial a partir 13/3, às 17h
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