Por Clarissa Kuschnir
Festival chega em sua 31ª edição e acontece em São Paulo e Rio de Janeiro exibindo 75 títulos, de 25 países
Sem dúvida, os documentários têm ganho um espaço cada vez maior no audiovisual mundial. E eu arrisco dizer por mim, que me interesso cada vez mais pela categoria seja de longas ou curtas-metragens, que a qualidade muitas vezes deste filmes, superam as ficções. Ou como tem acontecido muito em diversas obras, há uma mistura entre o documentário e a ficção, a chamada linguagem hibrida, o que acaba atraindo mais público. É através dos documentários que conhecemos histórias tão fascinantes, inclusive do Brasil. E nos festivais, eles veem sido muito bem recebidos e a cada ano, crescendo em número de inscritos. O lado bom é que isso faz com que os documentários sejam mais vistos, já que o público brasileiro sempre foi mais resistente ao gênero. Mas isso deve muito também, a falta de salas para distribuição no país, o que é uma discussão longa e complexa. Enquanto isso é debatido, nós temos o privilégio de poder ter alguns importantes eventos no Brasil como o “É tudo Verdade”, que chega em sua 31ª edição com exibições em São Paulo (Cinemateca, Cinesesc, IMS Paulista e CCSP-Centro Cultural São Paulo) e Rio de Janeiro (três salas do Estação Net Rio), que acontece de 09 a 19 de abril. E o Cinecappuccino estará por lá, sendo este, o primeiro festival de cinema de cobertura do site.
“Estamos fazendo há três décadas uma programação de excelência no Brasil, dedicados aos documentários com parceiros tão nobres que desenvolvem este trabalho a tanto tempo com a gente, em um campo que mudou muito nestes período todo de 30 anos, disse Amir Labaki diretor do festival, ao abrir a coletiva de imprensa, ocorrida no final de março em São Paulo, no Cinesesc que, conta com uma parte da programação do festival. Amir aproveitou para reforçar que este ano o festival está mais estruturado, graças a mais recursos de leis de incentivo, e agradeceu aos parceiros presentes com ele na mesa que eram: o Sesc, sendo representada por Érica Mourão (gerente de ação cultural da instituição), Itaú Cultural, representada por Kety Fernandes Nassar e SPcine, representada pela recém-empossada presidente, Anna Paula Montinni.
“Estamos juntos desde o início, pois quando temos oportunidade de exibir os documentários é de uma importância extrema e em especial nos dias de hoje, que além de podermos lidar com questões históricas em especial, temos a oportunidade de refletirmos sobre questões contemporâneas, que nos são tão caras e que veem de encontro a tudo o que nós fazemos no Sesc. Além das ações artísticas como diversas expressões como: cinema, dança, teatro, música, todo o trabalho feito em literatura, nós temos também, diversos programas nas áreas sociais que acredito, que muitos de vocês aqui conheçam. Então, nós trabalhamos com ações voltadas para os direitos humanos, que só complementa essa parceria com o É Tudo Verdade”, afirmou Érica Mourão sobre a parceria da instituição com o festival. Érica aproveitou para falar sobre os 80 anos do Sesc completados este ano, o que reforça ainda mais essa parceria.
A parceria com a SPcine completa 11 anos (mesmo tempo em que a agência foi criada), e Ana Paula disse que é um prazer apoiar mais uma vez o festival, reforçando o mérito de Amir e sua equipe de ter tornado o festival, uma grande referência como território de difusão da produção de documentários, a partir desta diversidade de olhares, do resgate da memória e do pensamento crítico, sobre o nosso tempo.
Já Kety Fernandes Nassar do Itaú Cultural afirmou que são 25 anos apoiando o festival.
“É uma alegria imensa estar aqui por mais um ano e como Amir lembrou, o documentário faz parte da história do Itaú Cultural desde o seu início, sempre com o objetivo de formação de público. Então é muito legal ver como conseguimos reunir em uma trajetória institucional, esse amor pelo cinema e um reconhecimento da sua importância. Esse é uma papel na formação de público, acerca da identidade brasileira. Geralmente os documentários sempre ficavam atrás das ficções nos festivais, e para a gente o documentário sempre ficou na frente, no campo de muito interesse. Não é à toa que estamos com o É Tudo Verdade há 25 anos, disse Kety, que complementou que o ano que vem, o Itaú Cultural faz 40 anos e ainda endossou, sobre a criação do Itaú Cultural Play (que faz parte da programação do festival) há cinco anos(criado durante a pandemia). O que é ótimo para quem é de fora, ou perdeu algum curta da programação. Mas para quem puder estar presente Amir Labaki reforçou “festival de cinema somos nós na fila, conversando com os amigos”.
Após a coletiva, o festival exibiu para a imprensa o longa “Bardort”, de Alain Berliner e Elora Thevenet, que faz parte da programação de filmes dos Clássicos do É Tudo Verdade.
Este ano, o festival traz em sua programação 75 filmes (curtas, médias e longas) oriundos de 25 países, divididos em mostras competitivas e não competitivas organizados em Programas Especiais, Foco Latino-Americano, O Estado das Coisas, Clássicos É Tudo Verdade, Retrospectiva, Homenagens e o inédito é Tudinho Verdade, voltado ao público infantil, o que é muito bom para que as crianças já comecem a se conscientizar, sobre a importância social, do papel dos documentários.
A abertura do festival, no dia 08 de abril para convidados em São Paulo, na Cinemateca conta com a exibição de “Bowie: O Ato Final”, de Jonathan Stiasny, às 20h30. No Rio, o festival começa com “VIVO 76”, novo filme do pernambucano Lírio Ferreira (“Árido Movie”, 2005, e “Baile Perfumado”, 1996), apresentado também para convidados no dia 9, a partir das 20h, no Estação NET Rio.
Os títulos vencedores das competições de curtas (nacionais e internacionais), longas e médias (nacionais e internacionais), serão conhecidos na cerimônia de premiação, que será realizada no dia 18 de abril, às 19 horas, na Cinemateca Brasileira, em São Paulo.
E como ocorre desde 2018, os quatro títulos vencedores das mostras competitivas estarão automaticamente classificados para apreciação às disputas do Oscar de documentários, para longas e para curtas-metragens, visto que o É Tudo Verdade é reconhecido como um “Qualifying Festival” pela Academia de Artes e Ciências Cinematográficas de Hollywood.
E os filmes vencedores serão reapresentados em sessões especiais no dia 19, tanto em São Paulo quanto no Rio, sendo assim também uma oportunidade para quem perdeu este filmes, poderem assistir.
Dentro da programação fora da competição, o festival este ano celebra os 80 anos da cineasta Vivian Ostrovsky (nascida em Nova York, criada no Rio de Janeiro e formada em Paris), com a exibição de 14 filmes da diretora percorrendo quatro décadas de produção e com imagens captadas, em mais de dez países. A curadoria desta mostra, ficou a cargo da cineasta e pesquisadora Fernanda Pessoa, que dentro destes filmes exibirá um filme inédito seu, sobre a Vivian.
Além de Vivian, o festival presta homenagens a Jean-Claude Bernardet, com a exibição de “Sobre Anos 60” (2000), Luiz Ferraz e Rubens Crispim Jr., com “Em Nome do Jogo” (2025), Silvio Da-Rin, “Missão 115” (2018), e Silvio Tendler, com “Os Anos JK: Uma Trajetória Política” (1980).
Em sua 23ª edição a Conferência Internacional do Documentário acontece no dia 11 de abril, na Cinemateca reunindo cineastas e pesquisadores, para discutir as fronteiras do cinema de não-ficção, tanto entre países, quanto entre gêneros cinematográficos.
Em parceria com o Sesc São Paulo, o festival promove um ciclo de encontros entre profissionais que compartilham suas experiências em diferentes áreas da produção contemporânea. Os eventos acontecem no Centro de Pesquisa e Formação do Sesc-SP, com entrada gratuita. As inscrições devem ser feitas em centrodepesquisaeformacao.sescsp.org.br.
No dia 16 de abril, serão duas palestras. A primeira, “Estudo de Caso: A Trilogia da Transamazônica”, Janaina Wagner, que desenvolve suas pesquisas em filmes, desenhos e instalações, discute o processo de pesquisa empreendido em sua trilogia de curtas “Curupira e a Máquina do Destino” (2021), “Quebrante” (2024) e “Quando o Segundo Sol Chegar / Um Cometa nos Teus Olhos” (2025).
A segunda, “Contra a Internet, de Dentro Dela – A Circulação Online em Filmes Contemporâneos”, a pesquisadora Regiane Ishii, doutora em Audiovisual pela ECA-USP, investiga como o cinema contemporâneo tem confrontado e respondido à onipresença dos processos de produção e circulação da internet.
No dia 17 de abril, a programação começa com o pesquisador Antonio Venancio, bacharel em Cinema e Televisão pela Universidade de Nova Iorque (1992), que tem quase três décadas de renomada e premiada atuação como Produtor de Imagens de Arquivo, tendo se especializado em imagens raras do Brasil, em direitos autorais e direitos de imagem. Ele abordará o ofício e as transformações atravessadas pelo campo ao longo de sua carreira, marcada pelo trabalho em documentários como “Peões” (2002), “A Música Segundo Tom Jobim” (2011), “Imagens do Estado Novo” 1937-45 (2016) e “No Intenso Agora” (2017), além de séries, filmes de ficção e exposições.
E, para encerrar o evento, o diretor e roteirista Camilo Tavares trata da sua experiência de realização de “O Dia que Durou 21 Anos” (2012) e “O Grande Irmão” (2020), documentários de longa-metragem baseados em extensas pesquisas de arquivos em diferentes países, abordando as especificidades dos processos exigidos por cada obra.
Se complementando as atividades de formação, o festival realiza uma masterclass com o cineasta Jorge Bodanzky (“Iracema, Uma Transa Amazônica”, 1975), além da exibição de “Um Olhar Inquieto: O Cinema de Jorge Bodanzky” (2025), realizado em parceria com Liliane Maia.
E como já dito acima, este ano pela primeira vez o É Tudo Verdade apresenta uma sessão infantil. Na mostra batizada de É Tudinho Verdade, serão exibidos filmes dirigidos por David Reeks e Renata Meirelles sobre o universo das brincadeiras infantis, em diferentes regiões do Brasil.
No streaming, estarão disponíveis dez curtas-metragens com exclusividade pelo Itaú Cultural Play, entre os dias 20 de abril e 4 de maio na plataforma itauculturalplay.com.br. Ou seja, é uma oportunidade para quem é de fora de São Paulo e do Rio, de poder assistir uma pequena mostra, desta edição.
E toda essa programação é gratuita!
A 31ª edição do É Tudo Verdade – Festival Internacional de Documentários conta com o patrocínio do Itaú, a parceria do Sesc-SP e o apoio cultural da Spcine, Galo da Manhã, Fundação Itaú e Itaú Cultural. A realização está a cargo do Governo Federal, por meio do Ministério da Cultura, via Lei Rouanet, e Governo do Estado de São Paulo, por meio da Secretaria da Cultura, Economia e Indústria Criativas.
Para saber a programação completa do festival com os filmes, locais e horários basta acessar: https://etudoverdade.com.br/br/home/
Quer saber tudo
o que está acontecendo?
Receba todas as notícias do Portal de Notícias no seu WhatsApp.
Entre em nosso grupo e fique bem informado.





Deixe o Seu Comentário