Por Clarissa Kuschnir
O Convite de Olivia Wilde(“Não se Preocupe, Querida”) é um filme que todo casal deveria assistir. Seja ele com poucos anos de relacionamento, ou seja, aquele casal que já passou dos 20, 30 e 40 + (como se fala por aí), de união. A princípio, o bem elaborado roteiro da dupla Rashida Jones e Will McCormack, baseado na comédia espanhola “Sentimental” ( peça de teatro, que virou filme em 2020 , por Cesc Gay) nos faz rir, ao apresentar a rotina do casal formado por Angela (a própria Olivia Wilde) e Joe (Seth Rogen), que vivem suas rotinas no automático, em um casamento de anos, com uma filha única adolescente que não aparece e só é citada e que aos poucos durante o desenrolar do filme, vai mostrando um desgaste no relacionamento.
E para quebrar um pouco a rotina, Angela resolve convidar os novos vizinhos, a espanhola Pina (Penélope Cruz) e seu namorido Hawk (Edward Norton), sim, “de falcão” (que depois descobrimos o porquê do apelido), para um jantar. E as brigas, já começam por aí. Primeiro por Angela querer receber os vizinhos contrariando Joe, que não concorda com o convite. E quando os novos vizinhos batem à porta, começam as histórias. E essas histórias se passam todas dentro do belo e bem decorado apartamento de Angela e Joe. Em meio aos diálogos, perguntas e curiosidades entre cada um dos casais começa uma espécie de terapia. Das situações engraçadas, passando pelo ápice das brincadeiras, risadas e confissões, o filme termina de forma reflexiva. É eu acho isso sensacional do ponto de vista de texto e cinematográfico, pois para quem vive ou viveu relacionamentos longevos, o filme vai fundo nos mais diversos universos, experimentados por um casal. Há o começo onde a paixão é ardente como vivem Pina e Hawk, e a vida já desgastada de um casal que vive junto há anos, mas que perdeu a intensividade, a admiração, o interesse sexual e muitas vezes, a paciência. Afinal de contas, as pessoas ficam juntas porque se amam? Ou não?
E isso o filme se preocupa em trabalhar dentro daquele pequeno universo, dentro de lindos enquadramentos, onde quatro pessoas se encontram para se conhecerem, para se divertirem, mas que de alguma forma se veem em diferentes etapas de vida. Inclusive a cabeça aberta de Pina que se diz psicóloga sexual e seu par Hawk, ambos com segundas intenções, além do jantar. Não há como não rir em várias das passagens, inclusive da obsessão de Hawk por um tapete de Angela. Hawk chega quase a um orgasmo, pelo objeto.
Acabamos conhecendo o apartamento e a personalidade de seus moradores. E a casa diz muito sobre seus moradores. Os atores estão muito bem em cena e há química entre eles. Ou seja, não é preciso muito para que a história acabe mexendo com nosso interior, como se ela estivesse falando para nós. Não assisti ao filme espanhol, porém gostei desta versão “americanizada”, apesar de sabermos que os cinema estadunidense é mais careta. Poderia ser mais ousado? Talvez. Mas ao assistir ao filme, percebe-se que o objetivo da história é justamente a de retratar o quanto vale a pena ou não, se resgatar um relacionamento. Ainda mais em tempos em que as pessoas se tornaram tão descartáveis e muitas vezes, são mero objetos de desejos de uma noite. E mesmo nas amizades, vivemos em um mundo cada vez mais individualista, focados em nós mesmos, na tecnologia, e esquecemos que a vida é muito mais do que isso. E algumas vezes as pessoas passam pelas nossa vidas (mesmo que seja bem rápido) de uma maneira muito positiva, mesmo que a princípio não pareça. E parece que este é o recado da cineasta, que assina sua terceira direção.
Eu fui com uma expectativa do filme e ele me surpreendeu mais do que eu imaginei. Talvez por estar em uma fase de maturidade emocional onde muito do que está nas telas, condiz com a minha realidade. E para quem passou dos 40+(eu, dos 50+) não tem como de alguma maneira, se sentir ali representado. É um filme com um recorte teatral, como diz a diretora e nós, somos os espectadores da peça. Não é à toa, que ele tem sido sucesso de público e crítica mundial. E agora, o longa que foi adquirido recentemente pelo estúdio de cinema independente A24 após um leilão milionário durante o Festival de Sundance 2026, e que foi filmado inteiramente em 35mm, chega com distribuição da O2 Play, apostando no sucesso da obra, para o público brasileiro.
O Convite
(The Invite, EUA, 2026. 107 minutos, Ficção/Comédia/Drama)
Direção: Olivia Wilde
Com: Olivia Wilde, Seth Rogen, Penélope Cruz, Edward Norton
Sinopse
O Convite acompanha Joe (Seth Rogen) e Angela (Olivia Wilde), um casal que vive um momento delicado em seu relacionamento. Na tentativa de atravessar mais uma noite aparentemente comum, eles recebem para jantar os vizinhos do andar de cima, interpretados por Penélope Cruz e Edward Norton. O encontro, no entanto, toma rumos inesperados e desencadeia situações cada vez mais imprevisíveis
Onde assistir: Nos Cinemas
Distribuição: O2 PLAY
Confira o trailer abaixo
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