Com uma carreira de mais de 65 anos transitando entre o cinema, teatro , TV e direção, Antônio Pitanga leva o prêmio de Melhor Filme( júri popular) por “Malês“, na 28ª edição do Festival de Cinema Brasileiro de Paris que encerrou hoje, na Cidade Luz. O prêmio é mais uma conquista do ator que volta para casa com o Troféu Jangada.
O Troféu Jangada, símbolo maior do festival e entregue às obras premiadas na programação, além dos homenageados da edição, é assinado pelo escultor e pintor Jaildo Marinho, nascido em Santa Maria da Boa Vista, no sertão de Pernambuco, e radicado em Paris há mais de trinta anos.
Já o Prêmio do Júri Jovem, concedido pelos estudantes parisienses que participaram das sessões escolares, foi para “Tudo que Aprendemos Juntos”, de Sérgio Machado.
Realizado pela Jangada, com curadoria de Katia Adler, no tradicional cinema de rua L’Arlequin, em Saint-Germain-des-Prés, o evento reuniu mais de 30 longas-metragens ao longo de oito dias de programação e atraiu um público de 7.751 mil pessoas, mais de 10% superior que em 2025.
“Malês” que estrou no Brasil o ano passado marca o retorno do ator à direção, depois de mais de 46 anos após seu primeiro longa, “Na Boca do Mundo” (1978).
Rodado em Cachoeira e Salvador, na Bahia, e em Maricá, no Rio de Janeiro, o filme produzido por Flavio R. Tambellini retrata a Revolta dos Malês, o maior levante organizado por pessoas escravizadas da história do Brasil, ocorrido em Salvador em 1835. A narrativa acompanha as condições de vida da população negra no século XIX e o enfrentamento ao racismo, à pobreza e à intolerância religiosa. No elenco, estão Rocco e Camila Pitanga, Bukassa Kabengele, Samira Carvalho, Rodrigo de Odé, Heraldo de Deus, Wilson Rabelo, Edvana Carvalho, Indira Nascimento, Thiago Justino e Patrícia Pillar, além do próprio diretor. O roteiro é de Manuela Dias e a direção de fotografia, de Pedro Farkas. O longa tem produção da Tambellini Filmes e coprodução da Globo Filmes, Obá Cacauê Produções, Gangazumba Produções e RioFilme, e distribuição da Imovision.
“Esse filme é um feito histórico. A gente não tem filmado muito no Brasil acontecimentos históricos como é feito na França, na Inglaterra, nos Estados Unidos, então esse é o caminho”, afirma Antônio Pitanga. “Malês” mostra outra visão, uma que os livros de história não contam; pouco se sabe sobre os malês através dos livros de história mais tradicionais”, complementa o diretor, ao destacar a importância do longa. “Acho que esse é um filme muito representativo para os tempos atuais, porque é sobre retratar o ponto de vista africano, não português, contando a história de um viés diferente do que estamos acostumados. É um filme que fala sobre negritude, mas é, ao mesmo tempo, um filme para todos conhecerem a história do Brasil”, destaca Pitanga.
O vencedor do Júri Jovem “Tudo que Aprendemos Juntos”, dirigido em 2015 por Sérgio Machado, acompanha a história de Laerte, violinista interpretado por Lázaro Ramos (homenageado nessa edição), que passa a dar aulas de música na comunidade de Heliópolis, em São Paulo, após não ser aprovado em uma audição para a Osesp. Inspirado na criação da Orquestra Sinfônica de Heliópolis, o filme explora a relação entre ensino, transformação social e acesso à cultura a partir da experiência do protagonista com seus alunos. O longa é uma produção Gullane em coprodução com Fox Internacional Productions.
Além das sessões, o festival contou com a presença de realizadores e convidados ao longo da programação, com debates após as exibições.
Os homenageados deste ano foram: Lázaro Ramos , que esteve em Paris para receber, em nome dele e de Taís Araujo, o prêmio pela primeira vez concedido a um casal, em uma cerimônia conduzida pela atriz e diretora franco-senegalesa Aïssa Maïga (“A Espuma dos Dias”, “Paris, Te Amo”, “O Menino que Descobriu o Vento”), que celebrou a trajetória dos dois artistas no audiovisual brasileiro. A segunda homenagem foi para Paulo Gustavo no chamado o Tributo a Paulo Gustavo, que contou com a presença de Thales Bretas, viúvo do ator, e de Ingrid Guimarães, grande amiga e parceira de trabalho do humorista, em uma sessão que incluiu a exibição de “Minha Mãe é uma Peça 3”, um vídeo-homenagem inédito e a apresentação de um trecho de “Minha Melhor Amiga”, nova comédia inédita de Susana Garcia estrelada por Ingrid e Mônica Martelli, que estreia nos cinemas brasileiros em setembro.
O crescimento desta edição também foi destacado pela diretora e curadora do festival, Katia Adler: “Estamos muito felizes com o resultado desta edição, que teve um crescimento de mais de 10%. Para um festival dedicado ao cinema brasileiro na França, isso é muito significativo. Tivemos salas cheias ao longo de toda a programação, o que reforça a importância de investir e apoiar iniciativas como essa no exterior. É um trabalho que fortalece a imagem do país, cria pontes culturais e abre caminhos concretos para os filmes, os realizadores e a indústria brasileira no cenário internacional”, afirma.
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