Final de semana chegando e estão aí minhas dicas de filmes, para vocês conferirem nas telas dos cinemas. Aproveitem enquanto tomam um café, cappuccino e afins e leiam as minhas pequenas críticas abaixo. Todos os longas já estão em cartaz desde ontem, no circuito comercial.
- Por Clarissa Kuschnir
O Mago do Kremlin
O poder seja ele em qualquer instância é a melhor forma de conhecer as pessoas, seja ele para o bem ou para o mal. Em O “Mago do Kremlin”, dirigido pelo francês Olivier Assayas (“Tempo Suspenso”) baseado no livro homônimo do jornalista italiano Giuliano Da Empoli, que se debruçou em uma pesquisa profunda sobre o atual governo russo, o cineasta conta em forma de ficção como o temido Vladimir Putin, chegou ao poder, este que já dura 25 anos (seja como primeiro-ministro ou presidente da Rússia). Porém, antes de chegar a Putin, Assayas faz uma linha do tempo desde a época da queda da ex-União Soviética com Mikhail Gorbatchov, passando pela abertura do país nos anos 90 com Boris Iéltsi ,até chegar no ex-chefe da KGB que até então, não queria saber da presidência, até ser convencido pelo brilhante comunicador Vadim Baranov( Paul Dano), de que Putin era o homem certo para substituir Iéltsi .Para o papel de Putin, o diretor escolheu Jude Law, que sem dúvida está irreconhecível, mas que convence muito bem no papel. Mas o mérito mesmo vai para Paul Dano(que narra sua própria história) apresentando esta linha do tempo, traçada pelo diretor. E uma das frases que me ficou na cabeça do protagonista foi: “hoje a Rússia não é segura para ninguém, nem para mim”. Apesar de suas 2h30 de filme, achei o longa muito bem conduzido e bem costurado, e é aí que vemos o quanto ser um bom comunicador transforma uma nação, que passa a acreditar em um mundo perfeito. Só que nesta atual Rússia, nada é perfeito, pois tudo que Putin julgou sobre seu país na época da União Soviética, ele faz pior. O país que hoje está longe de ser socialista, vive sob uma ditadura. A começar pela recente Guerra à Ucrânia (segundo maior país da Europa, depois da Rússia), que começou em 2022 e dura até hoje, chegando a censura severa aos jornalistas. Ou seja, mexer com o Putin, é pisar no vespeiro. É óbvio que eu não vou mentir, que gostaria de ver este filme falado em Russo, mas isso seria impossível, porém o filme tem seus méritos. Eu fui com uma expectativa, e ela se superou, principalmente, em relação a roteiro. E o filme se junta a uma série de obras recentes como o documentário que ganhou o Oscar “Um Zé Ninguém Contra Putin” que já está no streaming pela Filmelier e a série de documentários “Meus Amigos Indesejáveis: Parte I – Último Ar em Moscou”, que chegou ao Mubi recentemente e que tece sérias criticas a Putin. Além de Jude Law e Paul Dano, o elenco se completa com Alicia Vikander( como esposa de Baranov) e Jeffrey Wright (que é o ouvinte da história). O Mago do Kremlin é distribuído pela Imagem Filmes.
Confira o trailer abaixo:
Pai Mãe Irmã Irmão
Este é um filme que se pode afirmar que realmente a vida imita a arte, ou vice e versa. Na trama dividida em três episódios, o mais novo filme de Jim Jarmusch, e por mérito vencedor do Leão de Ouro, no último Festival de Veneza, o diretor fala de um assunto muito caro a todos, que é a família. Em todas as três histórias retratadas que se passam nos EUA, Irlanda e França é como se aquelas pessoas ali representadas como filhos, pais e irmãos (este último, eu achei menos) fossem todos estranhos, uns aos outros. É isso acontece com muitas famílias, ainda mais nos dias de hoje, com a tecnologia, o celular, e as pessoas se fechando em seus próprios mundos. E o longa traz uma reflexão muito profunda do ponto de vista das relações, onde muitas vezes, os nossos amigos sabem mais sobre nós, do que a nossa própria família. E olha que o filme não vai além das relações de parentescos, de primeiro grau. Imagina, dos mais distantes então. Na maioria das cenas, o silêncio se faz presente. Tudo em volta soa artificial, e muitas vezes os personagens têm que fingir serem algo que não são, para evitar julgamentos. E somos levados a ficar pensando o que era a vida destas famílias, antes dessas relações esfriarem. E pouco sabemos, já que os personagens são apresentados muito rapidamente. O elenco encabeçado por Tom Waits, Adam Driver e Mayim Bialik, Charlotte Rampling, Cate Blanchett e Vicky Krieps, Indya Moore e Luka Sabbat foi uma escolha acertada, e a direção de arte do filme é um detalhe a parte, que chama atenção de uma forma positiva e colorida, em meio a relações tão frias. E uma das grandes sacadas do filme foi que a cada episódio há uma relação entre os skatistas, que cruzam os caminhos dos personagens, um relógio Rolex (que ficamos na dúvida de serem verdadeiros ou não) e a água servida pelos anfitriões. “Pai Mãe Irmã Irmão” é um filme para ser apreciado e que apresenta uma realidade, que faz a gente pensar e debater sobre.Nos cinemas brasileiros, o filme chega pela Imovision, em parceria com a MUBI.
Confira o trailer abaixo:
Cinco Tipos de Medo
Dos lançamentos nacionais desta semana, “Cinco Tipos de Medo” ganha destaque como o longa mato-grossense, dirigido pelo cineasta Bruno Bini(“Loop”). Eu tive a oportunidade de assistir ao filme na pré-estreia, na 53ª edição do Festival de Cinema de Gramado, sendo ele o grande vencedor do evento Gaúcho, levando os Kikitos nas categorias: melhor filme, roteiro, montagem e ator coadjuvante para Xamã. Confesso que tive que assistir de novo em cabine de imprensa, pois na época, o longa me chamou a atenção pela ótima montagem, em um história não linear, mas que havia achado um pouco arrastada e longo demais. Na segunda vez gostei mais, por ser tratar de uma thriller que acredito, ter um apelo popular (e precisamos disto, no nosso cinema) e por trazer as telas, a estreia do Rapper Xamã(que está bem), no papel de um perigoso traficante, que descobre que sua namorada, a enfermeira Marlene (estreia de Bella Campos também, no cinema) quer se livrar do relacionamento tóxico entre os dois, e está tendo um caso com o músico e intelectual Murilo (João Vitor Silva), um ex-paciente e sobrevivente da Covid, que perdeu sua avó para a doença. E a partir daí começa uma perseguição onde todos têm que lutar para sobreviver, em meio a uma realidade de uma periferia, onde seus moradores vivem sob a ameaça dos traficantes, que mandam e desmandam, e vivem em guerra com a polícia, presente na trama, através de Luciana, personagem de Barbara Colen. A ligação entre personagens não é novidade nenhuma no cinema, mas a ideia de colocar o medo, o amor, o luto e a vingança em um quebra-cabeça para ser desvendado desde a primeira cena é que faz com que o filme se torne ágil e interessante. E o elenco além protagonistas contam com Rui Ricardo Diaz (que faz um advogado defensor de Xamã), Rejane Faria, Luiz Bertazzo, Zécarlos Machado, Jonathan Haagensen, acabam complementando a trama com boa interpretações. A distribuição nos cinemas é feita pela Downtown Filmes que leva o longa para cerca de 250 salas, em todo o Brasil.
Confira o trailer abaixo:
Quer saber tudo
o que está acontecendo?
Receba todas as notícias do Portal de Notícias no seu WhatsApp.
Entre em nosso grupo e fique bem informado.







Deixe o Seu Comentário