
Mother’s Baby
Por Clarissa Kuschnir
Maternidade nada convencional
Nestes últimos dois meses, tenho me dedicado muito a filmografia da cineasta Húngara Márta Mészáros, que tem como ponto forte, a maternidade. E nada como as mulheres na direção, para poderem desenvolver o tema na visão e experiência de vida delas. No caso de Mészáros ela retrata o tema com muita complexidade, deixando a abordagem feliz e romântica de lado muitas vezes trazida, pelo cinema hollywwodiano, ou em livros de romances, com finais felizes. Mas é bom poder ver que o falar sobre maternidade, abre infinitas possibilidades do que se pode ser contado nas telas. Em “Mother´s Baby”, da diretora e roteirista austríaca Johanna Moder, o buraco é mais embaixo. Inclusive é um filme que impacta (pelo menos para mim), pela forma como o roteiro consegue ser intrigante dentro de um filme de gênero (mesmo que você não goste), do começo ao fim. O longa é uma misto de sensações sobre diversos aspectos como: o desejo intenso de se tornar mãe; o medo de não dar conta do trabalho por conta do filho recém-nascido; a depressão pós-parto; a rejeição da mãe ao pegar seu bebê pela primeira vez e, a dúvida da legitimidade dele. E dentro deste contexto, a cineasta conta a história de Julia (Marie Leuenberger), maestrina de sucesso com uma carreira consolidada, que procura uma clínica particular, com o intuito de fazer um tratamento de fertilidade para engravidar, aos 40 anos. E logo na primeira tentativa, ela consegue engravidar. Durante sua gravidez, ela continua trabalhando e sonha logo em se tornar mãe. Até aí tudo parece um conto de fadas, até que durante seu parto, coisas estranhas acontecem e ela só vai ver seu bebê, um dia depois. Ao ver pela primeira vez o rosto de seu desejado filho, tudo soa estranho. Não há uma mulher feliz ali e ela começa a questionar o médico boa pinta(Claes Bang), a parteira (prestativa demais), as enfermeiras, e até seu marido Goerg(Hans Löw), que está ansioso e feliz pela chegada do herdeiro. É como se todo o seu sonho de maternidade, se tornasse um pesadelo. E é na segunda parte do filme, já com seu bebê (quieto demais, para um recém-nascido) em casa, que acompanhamos o dilema de Julia. Em muitos momentos não se sabe se ela está certa de suas suspeitas, ou se é loucura de sua cabeça, já que seus hormônios estão a flor da pele, algo comum, no período do puerpério. E esse jogo segue até o final do filme, onde a maioria dos personagens agem com uma frieza tamanha, principalmente, na maternidade particular, onde Julia teve seu filho. E no meio de toda essa frieza, a pessoa mais amorosa é o marido de Julia, que faz de tudo para agradar e ajudar sua mulher. E há realmente uma química entre os personagens desde o começo do filme, que infelizmente, não resiste a chamada “histeria feminina” (conhecida por muito tempo, como loucura feminina,) hoje não mais reconhecida pelos manuais médicos, sendo trocados os termos, por problemas relacionado a doença mental. Ou seja, muitas mulheres foram consideradas loucas, por diversos séculos, como uma espécie de controle feminino, de calar suas falas, em uma sociedade patriarcal, ainda presente nos dias de hoje. A sorte é que hoje a medicina avançou anos luz e a as mulheres não ficam mais caladas (tirando algumas culturas tradicionais e atrasadas no tempo, principalmente por motivos religiosos). “Mother’s Baby’ é um modo da diretora falar sobre isso sendo categorizado como um suspense inclusive, que foge a ética da medicina, mas que retrata de modo muito verdadeiro que realmente muitas vezes, a maternidade não é um mar de rosas para muitas mulheres. E no caso de Julia, é um questão de dúvidas, do começo ao fim. “Mother’s Baby” chega aos cinemas no Brasil, no próximo dia 05, distribuído pela Autoral Filmes. O longa teve sua estreia mundial o ano passado, na 75ª edição do Festival Internacional de Cinema de Berlim, concorrendo na competição oficial do evento.
Assista ao trailer abaixo:
Onde assistir: nos cinemas a partir de 05 de fevereiro
Distribuição: Autoral Filmes
Mother’s Baby
(Mother’s Baby, Áustria/ Suiça/ Alemanha, 2025, 108 minutos, Ficção)
Direção: Johanna Moder
Com: Marie Leuenberger, Hans Löw, Julia Franz Richter, Claes Bang , Julia Koch, Judith Altenberger, Caroline Frank, Nina Fog
Sinopse: Uma mulher navega pela complexa jornada da maternidade enquanto confronta seus medos e ansiedades.
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