
Kokuho: O Preço da Perfeição
Por Clarissa Kuschnir
A salvação pelo amor à arte
Um dos curtas-metragens nacionais que eu mais gosto e quem tem ganho diversos prêmios em festivais pelo Brasil é “Kabuki” (inclusive entrou na minha escolha, dos melhores curtas de 2025), do cineasta Tiago Minamisawa. Na obra, Minamisawa apresenta uma animação perfeita em todos os sentidos, tanto técnicos, quanto estéticos, onde ele conta a história de um personagem trans usando o Kabuki, tradicional teatro japonês (que conta com mais de 400 anos de história, sendo criado em 1.603 por uma mulher, no período Edo), onde os atores (sempre homens) se vestem de mulher para cantar, dançar e representar de uma forma bem estilizada, dramática e exagerada, porém tudo isso, com uma montagem muito rica e colorida. E o Kabuki até hoje é um espetáculo encenado no Japão (considerado patrimônio histórico pela Unesco). Assim como Tiago, o cineasta Lee Sang-il (“Rage”,” Unforgiven”), traz para a telona (de uma forma mais tradicional, pela época em que é retratado) e para nós ocidentais conhecermos melhor, “Kokuho: O Preço da Perfeição” um live-action de quase três horas, para contar a história de Kikuo (Ryo Yoshizawa), um jovem ator de 14 anos que ao presenciar a morte de seu pai (líder mafioso da Yakuza) escolhe o caminho da arte, ao invés da vingança. Sua história de sucesso começa ao ser adotado por Hanjiro Hanai (o sempre ótimo Ken Watanabe), o maior ator de Kabuki da época, que tem um único filho da mesma idade, Shunsuke (Ryusei Yokohama) que também é ator. Ao crescerem juntos, ambos acabam se dedicando 100% ao teatro, porém é Kikuo, que acaba se sobressaindo como um grande ator e é o escolhido, para substituir o mestre do Kabuki, depois de sua morte. Com isso a amizade entre os dois acaba se tornando rivalidade durante anos (o filme percorre 50 anos de história) e ambos os personagens têm que lidar com seus fantasmas (medos, desejos de vingança, traições e, disputas pelo poder ), enquanto o cineasta nos brinda com muitos minutos preciosos de apresentações teatrais, durante o drama. As cores vibrantes das roupas, cabelos, apresentações minuciosas, e a bela direção de arte, se contrastam com momentos bem dramáticos, sem pressa, fazendo com que haja uma reflexão profunda dos personagens em atuações brilhantes, inclusive, durante as apresentações de Kabuki. É como se nós espectadores estivéssemos naqueles teatros, assistindo aos espetáculos, com aquela câmera parada. E no final, a obra ainda revela algumas surpresas emocionantes. O filme me surpreendeu e me prendeu, principalmente pela atuação (como eu já disse acima) e por trabalhar a questão do perdão, que não é fácil, para nós seres humanos. Kokuho(que em Português significa “Tesouro Nacional”)foi um sucesso de bilheteria no Japão( visto por mais de 12 milhões de espectadores) por representar de uma maneira muito precisa, a essência e a herança cultural do país. O roteiro é baseado no livro homônimo de 2018, de Shūichi Yoshida e além de ter sido apresentando na Quinzena dos Realizadores de Cannes em 2025 é o filme representante do Oscar no Japão, este ano. Pena que entrou só nas categorias de cabelo e maquiagem. Na minha opinião, poderia concorrer a melhor filme estrangeiro, ao lado do nosso “O Agente Secreto”. No Brasil o filme é distribuído nos cinemas pela Sato Company em parceria inédita com a Imovision , e entra no próximo dia 05, em circuito comercial. É um filme para se ver, e até rever (são muitos detalhes a camadas) para quem aprecia à arte, em todos os sentidos.
Onde assistir: Nos Cinemas, a partir do dia 05 de março
Distribuição: Sato Company e Imovision
Kokuho: O Preço da Perfeição
(Kokuho, Japão, 2025, 174 minutos, ficção)
Direção: Lee Sang-Il
Com: Ryo Yoshizawa, Ken Watanabe, Min Tanaka, Takahiro Miura, Ryusei Yokohama, Ryusei Yokohama, Nana Mori,
Sinopse: Nagasaki, 1964. Após a morte do pai, líder de uma gangue yakuza, Kikuo Tachibana, de 14 anos, é acolhido sob a tutela de um famoso ator de Kabuki. Ao lado de Shunsuke, o único filho do ator, decide dedicar-se à tradicional forma de teatro japonês. Por décadas, os dois jovens crescem e evoluem juntos — da escola de atuação aos palcos mais grandiosos — em meio a escândalos e glórias, fraternidade e traições. Apenas um deles se tornará o maior mestre japonês da arte do Kabuki.
Assista abaixo o trailer
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