O Drama Menstrual de Jane Austen
Por Clarissa Kuschnir
Falar sobre menstruação como um ato de liberdade
Por muitos séculos a menstruação foi vista como tabu. Um tabu que gerou desconhecimento e sofrimento para muitas mulheres (consideradas impuras, ou mesmo sagradas, em algumas religiões, durante o período menstrual), que não podiam sequer falar sobre o assunto (inclusive perto dos homens). Sem contar os mitos, surgidos em torno do tema. E mesmo no século XXI é preciso reforçar o assunto que virou político, já que sabemos que ainda existe a chamada “pobreza menstrual”. E ainda hoje muitas meninas se recusam a ir para a escola(principalmente em países menos desenvolvidos), por não terem condições de comprar absorventes, reforçando assim, a importância de políticas públicas para o tema. E sim, devemos falar sobre isso, algo que é tão natural, na natureza feminina. Ainda hoje coincidentemente escrevendo este texto, li uma matéria na internet tirada da entrevista para à France Télévisions, falando sobre a patinadora norte-americana Amber Glen dizendo que este é um tema que deveria ser discutido, principalmente por se sentir afetada pelo ciclo menstrual, durante suas apresentações, o que fez com que isto atrapalhasse sua performance. E foi a partir deste ainda dilema social mundial, que a dupla de roteiristas e atores Julia Aks e Steve Pinder resolveram pegar o conhecido romance “Orgulho e Preconceito” (adaptado algumas vezes, para o cinema e TV) da escritora Britânica Jane Austen e adaptá-lo de forma livre, em uma divertida dramédia (se é assim que se pode chamar), no curta “O Drama Menstrual de Jane Austen “, um dos concorrentes ao Oscar na categoria live action este ano. E ele é divertido e de uma maneira leve aborda a menstruação através da protagonista Senhorita Estrogenia(sim, você leu certo), interpretada pela própria Julia Aks, que é pedida em casamento pelo Sr. Dickley (traduzido como Sr. Pinto). E neste dia tão importante para a donzela é que ela menstrua (apesar da personagem, aparentar bem mais velha para o papel) e seu futuro noivo por ignorância da época, pensa ser apenas um machucado. Com isto começa o drama com a família e o noivo que sai atrás de um médico, para pedir ajuda para a amada. E é aí que o curta ganha pontos já que em 13 minutos, esta história clássica do século XVII consegue agradar aos fãs da romancista e se resolver de maneira muito concisa, com uma bonita fotografia e direção de arte, que deixa a gente com o desejo, de uma continuação. Para escrever o roteiro Jukia Aks disse em entrevista ao jornal norte-americano Deadline, que se baseou em algumas histórias reais, compartilhadas por mulheres em um grupo no Facebook. Além das ótimas atuações (na maioria das vezes bem teatral), o curta tem Emma Thompson, como “Consultora Menstrual Executiva”, lembrando que a atriz foi roteirista da versão para o cinema de “Razão e Sensibilidade”( 1995), dirigido por Ang Lee. E foi com este roteiro adaptado de outra celebre obra de Jane Austen publicada em 1811, que Thompson levou o Oscar de Melhor Roteiro Adaptado.
Ficha Técnica
O Drama Menstrual de Jane Austen
(Jane Austen’s Period Drama, EUA, 2024, 13 minutos, comédia)
Com: Julia Aks, Ta’imua, Samantha Smart, Nicole Alyse Nelson, Hugo Armstrong, Marilyn Brett, Dustin Ingram, Steve Pinder
Inglaterra, 1813. No meio de um pedido de casamento tão esperado, a Srta. Estrogenia Talbot fica menstruada. Seu pretendente, o Sr. Dickley, confunde o sangue com um ferimento, e logo fica claro que sua educação cara deixou a desejar.
Onde assistir: Na FILMICCA
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