
A Meia-Irmã Feia
Por Clarissa Kuschnir
A beleza feminina como vítima da sociedade
Esperei ansiosa para assistir este filme que vem sendo repercutido há um bom tempo e foi um dos destaques, na seção Panorama do 75º Festival Internacional de Cinema de Berlim, em 2025. E aproveitando que o Berlinare (como é conhecido) começa no próximo dia 12 (e sim, temos Brasil representado por lá), o longa norueguês de estreia da cineasta Emilie Blichfeldt, distribuído nos cinemas por aqui pela Mares Filmes, já pode ser assistido na plataforma de streaming Mubi. E não tem como não se encantar com histórias de contos de fadas, castelos, e um belo príncipe. Pelo menos para quem gosta. E é aí que cineasta soube com maestria adaptar e agradar quem gosta de filme de gênero e fantasia, trazendo a conhecida história de Cinderela (ou Gata Borralheira) da Disney, baseada nos contos de Charles Perrault e transformá-la, em um conto no mínimo sinistro, bizarro e extremamente crítico, do ponto de vista da busca pela perfeição da estética feminina, lembrando em muitos aspectos, “A Substância”, de Coralie Fargeat .Porém apesar dos adjetivos achei “A Meia-Irmã Feia” um grande filme. E as belezas que vemos nas paletas de cores da fotografia (na maioria das vezes sombria), da direção de arte e figurinos(o filme concorre ao Oscar nas categorias técnicas de figurino e cabelo) e mesmo de algumas atrizes que estampam a tela, a exemplo da coadjuvante Thea Sofie Loch Næss (a gata borralheira e a filha do padrasto), acabam se complementando com a história de horror de Elvira (Lea Mathilde Skar-Myren),a filha mais velha (com uma irmã mais nova, e a mais sábia da família), que acaba sendo usada pela sua obcecada mãe, a se tornar uma bela mulher, para se casar com o príncipe. Mas o se tornar bonita remete a um sofrimento e pesadelo sem fim, tanto do corpo quanto que da alma, já que Elvira é obrigada a fazer diversos procedimentos estéticos invasivos em uma época, que não existia anestesia geral. Sem contar que para perder peso e poder comer o bolo que ela tanto amava, ela precisa engolir um ovo de Taenia (conhecida também como solitária), para poder comer, sem engordar. E a cada grito de dor da personagem acaba sendo um martírio para quem está acompanhado a história de Elvira, vítima de uma sociedade doente por perfeição, assim como vemos, atualmente. Ou seja, é o cinema fazendo seu papel crítico e social. Mesmo sabendo que no fundo ela representa uma vilã, eu torci para que Elvira, uma vítima de uma mãe doente e egocêntrica, se saísse bem desta história de contos de fadas trágica e escatológica, com um final surpreendente. É o cinema nórdico fazendo bonito, mesmo que você não goste do cinema de gênero. Não dá para sair ileso.

Ficha técnica
A Meia- Irmã Feia
(Den stygge stesøsteren, Noruega, Polônia, 109 minutos, 2025, ficção)
Direção: Emilie Blichfeldt
Com: Lea Mathilde Skar-Myren, Thea Sofie Loch Næss, Flo Fagerli, Isac Calmroth, Ane Dahl Torp, Malte Gårdinger, Cecilia Forss, Katarzyna Herman
Sinopse
Elvira, aparentemente comum, mas ambiciosa, é forçada por sua mãe a seduzir um príncipe vaidoso para salvar sua família. Mas quando sua bela meia-irmã Agnes se torna uma rival, Elvira é levada ao limite. Na véspera do baile real, ela precisa enfrentar as duras verdades do mundo ao qual aspira.
Onde assistir: Mubi
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