
Uma voz marcante do cinema brasileiro, Eunice Gutman retrata e analisa em seus documentários o papel da mulher na sociedade
O mês de março é marcado pelas comemorações às mulheres, e hoje 08 de março é o dia oficial (pelas Nacões Unidas, desde1975) desta comemoração, que deveria ser diária. No cinema, temos grandes nomes na nossa cinematografia, uma delas é Eunice Gutman, que se faz representada agora no MUBI que apresenta a Nova Coleção Vozes Femininas: Os Filmes de Eunice Gutman. Desde sexta, dia 03 cinco documentários da cineasta estão disponíveis na plataforma: “Mulheres: Uma Outra História” (1988), “Duas Vezes Mulher” (1985), “Só no Carnaval” (1982), “E o Mundo era Muito Maior que a Minha Casa” (1976) e “Vida de Mãe é Assim Mesmo?” (1983).
A seleção, que celebra sua obra feminista, também inclui “Eunice Gutman Tem Histórias” (2025), documentário de Lucas Vasconcellos. Com trechos de seus filmes, a produção comemora os 50 anos de seu legado no cinema. Exibido no Festival do Rio de 2025, tem a participação de Zezé Motta, Benedita da Silva e Jandira Fhegalli.
Caracterizada pela não ficção, a filmografia de Eunice deu voz às mulheres marginalizadas de todas as idades, com um olhar crítico, profundo e feminista. Sua obra aborda questões sociais ainda atuais, como desigualdade, infância na favela, performance normativa, função reprodutiva e a migração do campo para a cidade.
No mês em que se celebra o Dia Internacional da Mulher, a MUBI presta homenagem a essa importante cineasta. Sua visão de uma sociedade mais justa jamais se rendeu à acomodação, e a incitação à revolução presente em seus documentários ainda reverbera.
“A homenagem aos meus filmes no Mubi é muito emocionante! E ainda comemorando o 8 de março, Dia Internacional da Mulher”, disse Eunice, ao Cinecappuccino.

Sobre Eunice Gutman
Eunice Gutman, 85 anos, é uma das primeiras montadoras do cinema brasileiro. Antes, foi professora primária e cursou sociologia. Na década de 1970, formou-se em cinema na Bélgica, no INSAS – Instituto Nacional Superior de Artes, Espetáculos e Técnicas de Difusão de Bruxelas. De volta ao Brasil, deu início de forma independente à sua trajetória no cinema com E o Mundo era Muito Maior que a Minha Casa (1976), sobre a alfabetização de adultos em uma área rural.
Corroteirista de Os Doces Bárbaros de Jom Tob Azulay, também dirigiu o curta A Rocinha Tem Histórias, vencedor dos prêmios de melhor direção nos Festivais de Brasília (1985) e Gramado (1987).
Onde assistir: Mubi
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